23.09.2009
Arcelor diz que vai se expandir o quanto a população permitir
De Antônio Rossi, gerente de Meio Ambiente da Arcelor Mittal: “Vamos nos expandir o quanto a sociedade permitir”. A afirmação foi feita em audiência pública, na Câmara de Vereadores de Vitória, na noite dessa segunda-feira (14), quando a poluidora deixou claro seu propósito, ao ser questionada sobre o quanto as empresas ainda pretendem se expandir no Estado.

A Arcelor Mittal, que vem sendo pressionada a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e a sociedade civil, tentou minimizar sua parcela de culpa na poluição da Grande Vitória, mas não conseguiu. A população quer mais, e afirmou que não irá desistir.

“Não estamos mais preocupados com o que a legislação exige apenas. O fato é que estamos limitados na legislação no que diz respeito a partículas sedimentadas. Portanto, o que quero saber é o que é bom para a qualidade da vida da gente. Se as empresas não estão emitindo como estão falando, o que é que está chegando lá em casa então?”, questionou Paulo Esteves, presidente da Associação dos Bairros de Vitória.

Paulo Esteves é um dos líderes na luta para que as empresas adquiram tecnologia eficiente para minimizar os problemas com a poluição emitida pelas indústrias na Grande Vitória, inclusive em relação ao “pó preto”, que chega diariamente à casa da população.

O representante da sociedade foi enfático, afirmando que a população quer o que há de melhor no mundo para que o problema seja minimizado.

Já a Arcelor Mittal afirmou que medidas vêm sendo tomadas, como o reaproveitamento da água com o tratamento do esgoto na região e a implantação de um sistema de dessulfuração até outubro de 2010 (cobrado há mais de 10 anos por ambientalistas no Estado). A empresa justifica ainda que já possui eficientes meios para minimizar seus impactos, como o cinturão verde, que funcionaria como uma espécie de Wind Fence (tela que minimiza a ação do vendo e impede a dispersão do pó de minério, entre outros produtos manipulados nos pátios das empresas).

Segundo o gerente de Meio Ambiente da siderúrgica, Antonio Rossi (foto), a empresa não se recusa a assinar um termo com a sociedade, mas quer saber o que a sociedade quer que seja feito.

Neste contexto, o que se viu foi a tentativa de uma prestação de contas com a sociedade, desconsiderando mais uma vez que esta é uma luta antiga, e que as empresas já sabem o que a sociedade exige há anos. No caso da Arcelor, ex-CST, inclusive, já que há anos a população cobra o sistema de dessulfuração, que inclusive já foi condicionante da empresa, mas que só agora começa a ser instalado.

Segundo a população, é válido saber o que vem sendo feito, mas é ainda mais importante mostrar às empresas o que a sociedade espera, para quando ela espera e que não tolerará mais atrasos.

Entre os representantes de ONGs, associações de bairros e ambientalistas, o sentimento era o mesmo. As iniciativas das poluidoras vieram tarde e estão sendo ressaltadas como um favor a sociedade, o que não é. Dizem eles que as iniciativas chegaram em um momento de expansão, ou seja, de ainda mais poluição, em uma época na qual este problema deveria estar controlado, para que só ai fosse discutida a expansão destes empreendimentos.

Ao ser questionado sobre o quanto as empresas ainda pretendem se expandir no Estado, o gerente de Meio Ambiente da Arcelor, Antônio Rossi, respondeu: “O quanto a sociedade permitir”.

Neste sentido, a sociedade sabe que ainda há ainda muito o que fazer. Na opinião do vereador Namy Chequer (PCdoB), por exemplo, a população já permitiu muito.

“O nosso pulmão é que está bancando esta conta até agora. Estamos cansados de ver equipamentos modernos no momento em que estas empresas estão se agigantando, e ai, quanto mais produz mais polui. Não sabemos mais se essa tecnologia veio pra corrigir os erros do passado ou só para atenuar o que vem por ai”, disse ele.

Além da Arcelor, também esteve presente na audiência representantes da Vale. A mineradora apresentou seu cronograma de acordo com o Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado em 2007 com o Ministério Público Estadual (MPES) e mostrou os itens já cumpridos na lista de cinco exigências feitas pela sociedade, entre elas a instalação da primeira etapa da tela Wind Fence, que tentará minimizar em 90% a dispersão do pó de minério no ar da Grande Vitória.

O acordo feito entre a Vale e o MPES segue os mesmos moldes do proposto pela sociedade para a Arcelor, mas que até agora não foi aceito pela empresa. Neste sentido, o MPES já requerereu à empresa e ao Iema documentos sobre seus licenciamentos, assim como condicionantes não cumpridas, multas, entre outros dados para avaliar a postura da empresa no Estado.

Segundo Namy Chequer, mesmo com o tardio esforço da Vale em minimizar seus impactos e a tentativa da Arcelor de fazer o mesmo, é necessário que a população coloque prazos e exija que, se estas tecnologias não funcionarem, as empresas continuem investindo até que acertem. Propôs ainda que multas sejam aplicadas no caso do não funcionamento satisfatório destas tecnologias.

Para o vereador, a medida é uma forma de pressionar as empresas para que o problema seja de fato resolvido.

Além de Namy Chequer, também esteve presente, presidindo a audiência, o vereador Max Da Mata (DEM), que solicitou a reunião, mas deixou a reunião no momento dos questionamentos da população.

O restante dos vereadores apenas passaram pela reunião, o que foi criticado pela população, que reclamou da falta de interesse dos demais membros da Casa.

Além dos vereadores e de representantes da sociedade civil organizada, estiveram também presentes representantes do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e do Ministério Público Estadual (MPES).

Fonte: Seculodiario.com (http://www.seculodiario.com.br/exibir_not.asp?id=3980)



Fonte: Assessoria de Imprensa
Seção: Siderurgia
Publicação: 16/09/2009
 
 
 

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